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14/01/2019 17:24 - atualizado às 17:15 em 01/03/2019

14/1/2019

Agência Indusnet Fiesp

Conhecedora da obra de Manoel de Barros (1916-2014), a atriz Cássia Kis se considera uma excelente leitora do poeta e escritor mato-grossense. Após descobrir sua poesia em 1980, estabeleceu uma relação não só com a obra do autor, mas com o próprio Manoel, com quem se correspondia e se tornou amiga.

Agora, a atriz homenageia o amigo e escritor no palco do Teatro do Sesi-SP com a peça inédita Meu quintal é maior do que o mundo. Em curta temporada, a peça fica em cartaz de 31 de janeiro a 24 de fevereiro, sextas e sábados, às 20h, e domingos, às 19h, com entrada gratuita.

Foi justamente o livro de Manoel Memórias inventadas que a atriz escolheu para marcar sua volta aos palcos depois de 10 anos (sua última peça foi O Zoológico de Vidro, de 2009). Integram a equipe, o diretor Ulysses Cruz, parceiro de trabalho de Cássia há 40 anos e com quem ela divide a criação do texto, e Gilberto Rodrigues, responsável pela execução da música ao vivo e pela direção e criação musical.

SONHO RECORRENTE

Para realizar o antigo sonho da atriz, que acalenta o desejo de criar uma versão para o palco da obra de Manoel de Barros há quatro décadas, Ulysses Cruz decidiu rever estudos iniciais desenvolvidos por Cássia e Jayme Compri (que integrava o grupo do diretor, Boi Voador, e o próprio Ulysses indicara), para a construção de possíveis cenas.

"Quando Cássia retomou o projeto da peça, história recorrente em sua vida, eu gelei. Ao perceber sua determinação e o risco de ela montar o trabalho com qualquer outra pessoa, eu – que tenho um prazer absoluto em trabalhar com ela, sua qualidade como atriz é superlativa – topei na hora".

A sacada de Ulysses ao ler o livro Memórias inventadas foi perceber que todos os textos continham um enredo. "De cara entendi que não dava para fazer o livro todo pela quantidade de textos e o risco da fragmentação em pequenas histórias, que geraria dificuldade de compreensão. Fiquei, então, com a batata quente na mão de escolher, entre tantos, os textos poéticos mais significativos", comenta, ressaltando que "teatro tem de ser vibrante, gerar faísca". 

Para o ponto de partida da encenação, Ulysses recorreu à memória dos tempos em que dava aulas de teatro, quando usava o livro Improvisação para o teatro, de Viola Spolin. Assim, com base em três conceitos contidos no livro - onde se passa a ação, quem está na ação e o que estão fazendo - Ulysses organizou os 18 textos. O trabalho incluiu a necessidade de ligar um texto ao outro para ampliar a ideia de continuidade ("pois cada texto, todos curtos, encerra em si o mundo").

A estrutura da peça permite que o público entenda quais são as fontes do poeta por meio de uma divisão em blocos: o bloco Onde reúne textos com as descrições dos cenários que Manoel de Barros faz de seu mundo, o quintal, simbolizado pelo tapete. O segundo bloco, Quem, traz os textos que mostram quem é a pessoa que descreve tais cenários, ou seja, o menino, o homem ou velho Manoel de Barros. Finalmente, os textos do O que trazem os objetos de inspiração do poeta. Ulysses também se colocou no lugar do público e gostaria que ele sentisse "a alegria de ouvir textos tocantes, supreendentes, lindos, felizes, angustiados, dramáticos, engraçados e bem-humorados".

Sobre a encenação

Para construir a atmosfera sonora da montagem, Ulysses convidou o músico Gilberto Rodrigues (com quem já havia trabalhado em Leão no Inverno). A presença da sonoridade do vibrafone foi o único pedido ao músico. Para criar a luz, juntou-se à equipe o jovem Nicolas Caratori, estreando como light designer. E para dar conta do trabalho físico de Cássia Kis, a direção de movimento foi entregue a Cynthia Garcia, “pupila” de Ivaldo Bertazzo.

Para o diretor, a necessidade de uma direção de movimento se deu quando "as demandas corporais começaram a ficar pesadas, afinal a peça fala de um menino com 5 anos, um jovem de 15, um homem de 40 e um velho de 85, num quintal, que é um tapete". Por ser uma prosa poética, Ulysses Cruz finaliza afirmando que a peça vai na contramão do que há cartaz hoje.

Sobre Manoel de Barros

Manoel Wenceslau Leite de Barros nasceu em Cuiabá (MT), em 19 de dezembro de 1916, e mudou-se para Corumbá (MS), onde se fixou em uma fazenda no Pantanal. Estudou num colégio interno em Campo Grande e depois no Rio de Janeiro. Anos depois, passou um tempo na Bolívia e no Peru e, em seguida, morou por um ano em Nova York, onde estudou sobre Cinema e Artes Plásticas no Museu de Arte Moderna (MoMA).

É autor de 18 livros de poesia, além de livros infantis e relatos autobiográficos. Recebeu duas vezes o Prêmio Jabuti, duas vezes o Prêmio Nestlé e também foi premiado pela Academia Brasileira de Letras (ABL), pela Biblioteca Nacional e pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA). Manoel de Barros conta com uma consistente fortuna crítica, mas seus comentários sobre a própria obra são considerados um dos melhores e foram fornecidos tanto em entrevistas quanto em versos que escreveu “desexplicando” o próprio trabalho literário.

Segundo ele, “ao poeta faz bem desexplicar”, ou melhor, o entendimento de sua poesia não passa pelo crivo cerebral, pois “não é por fazimentos cerebrais que se chega ao milagre estético senão que por instinto linguístico”. Faleceu em novembro de 2014, pouco antes de completar 98 anos.

Serviço:

Meu quintal é maior do que o mundo

Estreia: 31 de janeiro (quinta), às 20h

Apresentações: 1, 2, 3, 8, 9, 10, 15, 16, 17, 21, 22, 23 e 24 de fevereiro

Horários: quinta, sexta e sábado, às 20h, e domingo, às 19h

Local: Teatro do Sesi-SP (av. Paulista, 1313 – em frente à estação Trianon-Masp do Metrô)

Capacidade: 456 lugares

Classificação indicativa: livre

Duração: 70 minutos

Gênero: prosa poética

Informações e agendamentos de grupos: ccfagendamentos@sesisp.org.br 

Grátis. Reservas antecipadas pelo site http://www.sesisp.org.br/meu-sesi. Ingressos remanescentes serão distribuídos no dia da apresentação, 30 minutos antes do início da sessão. Reservas abertas sempre às segundas-feiras que antecedem a data da apresentação, a partir das 8h.

Ficha Técnica: Obra: Manoel de Barros | Elenco: Cássia Kis | Concepção e direção geral: Ulysses Cruz | Adaptação do texto: Cássia Kis e Ulysses Cruz | Direção de Produção: Gustavo Nunes | Cenário e figurinos: Ulysses Cruz | Direção e criação musical: Gilberto Rodrigues | Execução musical: Gilberto Rodrigues | Fotografia e Design: Gal Oppido | Assistente de Fotografia e Design: Marina Engelhardt | Design de luz: Nicolas Caratori | Assistente de iluminação: Vitória Pamplona | Direção de Movimento: Cynthia Garcia | Costureira: Judite de Lima | Adereços: Luis Rossi | Produção geral: Turbilhão de Ideias Entretenimento | Realização: Sesi-SP.

 

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